O FIM DA TÉCNICA DE CONTORNO FACIAL NA MAQUIAGEM

Atualizado: 15 de fev.



Antes de eu entrar no ponto polêmico (mas necessário) sobre o uso - exagerado e corrompido - do contorno na maquiagem moderna, preciso contar a história dessa técnica para vocês, que não, ela não foi criada pela Kim Kardashian nem pelo seu maquiador.


Os primeiros relatos do uso, do que hoje chamamos de contorno, são lá do século XVI (o Brasil mal tinha sido colonizado). Os atores de teatro da Europa já usavam o recurso de luz e sombra no rosto, aplicavam giz e fuligem na face para que a platéia conseguisse ver as suas expressões a distância. Com o surgimento da luz elétrica, no século XIX, não dava mais para os atores usarem fuligem, pois se notaria a sujeira e não sombreamento. Por isso eles tiverem que se reinventar e passaram a usar pastas e tintas no rosto.


Apenas no século seguinte, nos anos de 1920, a técnica do contorno saiu dos palcos de teatro e foi parar no cinema. E graças ao maquiador Max Factor (conhecido como o pai da maquiagem por ter inventado o termo em inglês - Makeup - e por criar vários produtos que usamos até hoje) o uso de maquiagem se popularizou para as mulheres "comuns", quando seus produtos passaram a ser comercializados em farmácias. Foi ele o criador da base líquida (parecida com o que temos atualmente), por ter percebido que os pancakes usados nos estúdios pelas atrizes eram muito pesados e não funcionavam na vida real, sem os holofotes.

Foi também Max Factor quem lançou o primeiro tutorial passo a passo e inventou uma máquina (que mais parece um aparelho de tortura medieval) para tentar medir o rosto perfeito e simétrico, mas que serviu apenas para provar que a perfeição não existe, muito menos que beleza está atrelada a simetria.

Foto: Cinthia Ferreira

Max Factor e sua invenção - calibration machine


Apesar de a maquiagem ter ultrapassado as atrizes de cinema e ter caído no gosto das mulheres em geral, somente a partir dos anos 1980 que a técnica do contorno despontou do cinema e apareceu nas passarelas e capas de revistas. Isso graças ao maquiador Kevyn Aucoin, que nessa época se tornou maquiador queridinho das celebridades e as maquiava para as campanhas publicitárias e os tapetes vermelho. Ele utilizava a técnica nelas e publicou vários livros de maquiagem explicando como ele fazia contorno, publicações que ajudaram a difundir a técnica para o público em geral.



Pois bem, agora que vocês já conhecem como e porque a técnica de contorno na maquiagem surgiu, vamos analisar sobre seu uso (desmedido e muitas vezes desnecessário) nos dias atuais.


Como vocês viram, o contorno foi criado para uma função específica: gerar dimensões e acentuar expressões em atores que interpretam outras pessoas, em ambientes distante do público (como palcos) ou em estúdios de gravações e fotografia onde existe muita iluminação e por isso a maquiagem precisava ser mais carregada e marcada.


Porém, essa nem é mais a realidade da maioria das produções cinematográficas e fotográficas. Com câmeras e telas cada vez melhores, com imagens mais nítidas em alta definição, os produtos e técnicas de maquiagem precisaram mais uma vez se atualizarem. O que começou com uso de fuligem e giz, passou pelo pancake, hoje é HD (high definition). Maquiagens super leves, finas, muitas vezes translúcidas, justamente porque todo aquele jogo de luz e sombra marcado, usado antigamente, não é mais necessário.


Porém, com o surgimento das redes sociais, das selfies e do photoshop, o contorno passou a ser feito nos tutoriais de internet e na vida real de maneira desvirtuada.


Hoje é usado para modificar feições, padronizando as pessoas e reforçando a obsessão pela busca da perfeição. O que é um grande paradoxo, já que cada vez mais cresce a luta pela autoaceitação, valorização da individualidade e da naturalidade. Contudo, muitas mulheres têm buscado se parecer menos com elas mesmas, inclusive através da maquiagem.


Eu não estou dizendo que é errado fazer contorno (quando feito corretamente, claro), desde que você esteja consciente do motivo pelo qual você está fazendo as modificações. Se é uma escolha livre de insatisfações da sua autoimagem, vá em frente. Mas se você usa o contorno porque você só se sente bonita com um nariz mais fino, um rosto magro, uma mandíbula marcada, uma testa pequena e lábios grandes, isso é um sinal de alerta que algo precisa ser modificado dentro de você, e não fora.


MAQUIE-SE PORQUE VOCÊ QUER, NÃO PORQUE ACHA QUE PRECISA!


Não vou fingir que eu nunca fiz contorno, no começo da minha carreira fui levada a acreditar que a técnica fazia parte da maquiagem profissional. Era como se fosse obrigatório e diferenciasse da maquiagem "leiga". Mas com a prática e muito estudo compreendi que o contorno é SÓ uma técnica (entre várias outras) que tem função, ocasião e intenção específicas. O contorno não foi desenvolvido (nem deveria ser feito) para "consertar" feições.


Quando eu encontrei meu estilo de trabalho - a maquiagem embelezadora - e meu propósito como maquiadora - elevar a autoestima das mulheres com naturalidade, não fiz mais contorno. E procuro esclarecer, para a cliente que eventualmente pede, o real impacto que as modificações com contorno causam, para ajudá-la a desconstruir a distorção da imagem que ela tem de si mesma.


O intuito desse post foi trazer informação sobre o tema para ajudar, especialmente você que faz contorno sem critério só porque todo mundo faz, a compreender e sobretudo refletir sobre o porquê você gosta de se descaracterizar. Afinal, maquiagem é para nos expressar e elevar nossa autoestima, não para nos escravizar com mais padronizações. ❤


Bárbara Figueiredo - designer da beleza e graduanda em Biomedicina.


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Beijos. 😘 💖

Fontes: Byrdie, Mdemulher

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